domingo, 23 de setembro de 2012

001 - Uma experiência pessoal de Advaita


Tudo o que estou escrevendo provém de leitura, estudo e reflexão e não propriamente da experimentação direta, embora em raras ocasiões eu tenha tido um vislumbre fugaz de alguns conceitos de advaita ou não-dualidade. Lembro-me de que, em uma ocasião ou outra, principalmente quando era criança, em uma caminhada por uma trilha quase deserta na praia ou acampado em um lugar ermo de um parque nacional, ao me deitar sobre a areia quente ou sobre a relva úmida, olhando para o céu azul tingido de nuvens ou para a noite estrelada e fria das montanhas, escutando o ritmo das ondas quebrando ou o murmúrio do córrego se esgueirando pelas pedras, havia a sensação de perder a fronteira de quem eu era, ou melhor, de quem eu pensava ser. Tornava-me parte de tudo que via, respirava, tocava e mesmo além do que meus sentidos captavam ou do que minha mente pudesse compreender. Esta "perda de fronteira" entre o que imaginava ser e tudo mais à minha volta e além, era uma experiência que não conseguia entender de forma objetiva mas que facilmente sentia com o coração. Embora seja difícil de grafar em palavras o que vivenciei, acredito que muitas pessoas experimentaram esse sentimento de união com tudo, em um ou outro momento de suas vidas. Esse fenômeno não é raro, pelo menos, deveria não sê-lo. Não era a duração desta vivência ou as circunstâncias em que ela ocorria, e sim o alcance no âmago de meu ser que marcava a impressão na memória, que de algum modo se tornava um patrimônio abstrato que carreguei sempre comigo. Por um instante entendia que não era somente parte do Todo mas o próprio Todo. Era como transgredir, por um momento, a ilusão do que o corpo e a mente faziam crer quem eu era. Eu busquei em diversas religiões o significado "espiritual" desta experiência e talvez a leitura que mais proximamente me trouxe a compreensão do seu significado tenha sido o aprendizado da palavra "Advaita", que, em sânscrito, significa "não-dois" (Ad-vaita). Estou começando a ler sobre o assunto agora, mas dada a escassez de material disponível em português, decidi compartilhar momento a momento deste aprendizado com o leitor e, se possível, crescer junto com ele. Afinal, somos todos Um.

Martius de Oliveira

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